"Aprendo com as minhas mãos, com os meus olhos e com a minha pele o que nunca consigo aprender com o meu cérebro." M. C. Richards

Viagem à Terra da Programação neurolinguística

Sinopse

Uma rápida retrospectiva das situações e experiências obtidas numa viagem de estudos em 1995 cujo programa era a participação em dois seminários com Richard Bandler (co-criador da PNL).

Contexto

A oportunidade de estudar diretamente com os criadores da PNL é, sem dúvida, uma experiência muito transformadora, de grande êxtase e de crescimento pessoal. Creio que não somente pelo conhecimento e o poder que possuem, mas também pela expectativa gerada previamente no estudante!

Artigo

De vários caminhos dentro da busca e experimentação junto à PNL, a mais exótica foi o contato com o Dr. Richard Bandler em Nova Iorque. Apesar de já ter estudado bastante e com diferentes instrutores e métodos, percebi uma grande diferença: a PNL se modernizou muito. A PNL tem 25 anos de vida, e o Design Human Engineering (DHE – a PNL dos últimos cinco anos) é algo bastante mais simples de usar e mais sofisticado.

De toda a magia que significa um seminário diretamente com o "titio" Bandler, grande parte pertence ao próprio país: à cidade de Nova Iorque (EUA) e à própria língua. Nova Iorque é pura poesia. Uma cidade internacional, porém com identidade bem característica.

A língua é outro mistério. Imagino que a PNL só poderia ter surgido em um país de língua inglesa. Não somente pelos avanços tecnológicos, mas esse país deveria ter sido os Estados Unidos. Tanto pela herança cultural (os avós da PNL viviam todos nos EUA), como principalmente pelo próprio idioma. Sendo o inglês um idioma que possui uma fonética muito diferente da nossa língua, a quantidade de significados que pode ter uma palavra falada (muitas vezes, palavras com grafias totalmente distintas possuem sons iguais – palavras homófonas) é muito maior que na nossa língua. Também, a quantidade de palavras necessárias para uma comunicação eficiente em inglês é bem menor que em português. Nessa medida, toda tradução torna-se uma recriação.

Esse fato gera um campo de estudos particular dentro da PNL, conhecido como AMBIGÜIDADES. Muito justo, se cada palavra pode significar coisas diferentes, então cada frase e oração pode gerar diferentes entendimentos. No inglês britânico, isso acontece um pouco menos, devido às diferentes entonações que produzem e individualizam significados.

Como herança dos trabalhos do Dr. Milton Erickson, M.D., as ambigüidades são muito usadas pelos mestres para produzir comunicações subliminares e de múltiplos níveis, não necessariamente conscientes.

Um exemplo disso foi uma história contada por Bandler a respeito de seu nariz quebrado (broken nose) inúmeras vezes ao longo de sua adolescência e maturidade. Durante algum tempo, ao longo da história, acreditei que ele, a essa altura, já teria "nariz de borracha". Somente algum tempo depois percebi que ele não falava de seu nariz, porém de suas crenças, conhecimentos e lembranças (knows), cuja palavra em inglês possui o mesmo som das outras. Toda a história era a respeito de acidentes e brigas onde a primeira e maior vítima era "o seu nariz". Quantas outras histórias, contadas muito rapidamente e com uma série de âncoras tonais e/ou rítmicas e ênfases em palavras ou sílabas não instalaram e instalam novas crenças possibilitadoras e novos valores no sistema de cada aprendiz, sem que ele mesmo tome consciência?

Antes da viagem, planejara conhecer Richard Bandler no ano anterior. Escutei fitas cassete, vi e estudei vídeos, li livros. Tinha muito receio de perder parte da comunicação pela grande quantidade de gírias e expressões idiomáticas que ele usava. Poucas semanas antes da viagem, porém, tive um "insight" muito valioso: "Confie no seu inconsciente! Confie no seu inconsciente! Ele já sabe falar o inglês necessário para você encontrar o Dr. Bandler! Você assiste a filmes de língua inglesa, legendados, há muito tempo; você tem estudado inglês por toda a sua vida; você também já viajou e não teve problemas!". Foi uma experiência muito agradável e surpreendente. Os resultados das sementes plantadas por ele se multiplicam nas vidas de seus alunos. É um grande mestre!

Tenho comentado com amigos que não vi nada, no ocidente (exceto um ou dois filósofos gregos antigos), mais parecido com o modo de pensar ZEN do que a própria PNL (porém, agora codificado de uma maneira que o raciocínio pode alcançar) – como diz um amigo, é o processamento do cérebro direito equacionado e decodificado pelo cérebro esquerdo.

Digo isso pelo fato de ter sido exatamente em um dia de descanso (???) entre dois seminários que tive outro grande "insight" sobre o curso e o método de Bandler. Magicamente, foi num passeio ao Central Park. Era uma segunda-feira de maio, portanto, o parque não estava cheio. A experiência foi fantástica considerando o suave e agradável impacto emocional: vi um esquilo brincando de "esconde-esconde" com um senhor de idade. Pensei então que essa deveria ser minha nova atitude interior para lidar com as coisas da vida.

Não que a vida devesse se tornar uma brincadeira sem o devido respeito; mas que deveria ser como a atitude pura e natural de um esquilo, sem pensar, sem calcular, sem compromisso, mas que participa de uma dança da natureza. Agia na dependência dos gestos do velho. Este, por sua vez, também agia de acordo com o esquilo. Parecia não haver causa e efeito: apenas a dança! Isso me surpreendeu muito. Não esperava que essa lição, uma das sementes que germinava, fosse vir à consciência numa condição tão natural e espontânea! Agradeci à Providência. Essa é a própria essência das metáforas e paradoxos ZEN.

Outra percepção significativa foi a tomada de consciência de algo que chamei de "aura de representações". Imagine as suas memórias e observe que elas poucas vezes estão dentro dos limites do seu corpo físico. Lembre-se de suas memórias auditivas e vozes interiores e observe que muitas vezes algumas vozes provêm de fora dos limites do seu corpo físico. Preste atenção em suas sensações. Será que alguma provém de fora do seu corpo? Por exemplo, se estivesse sonhando, talvez você tivesse a sensação de estar fora dos limites do seu corpo.

Então, qual é o tamanho do ambiente onde ocorrem suas representações internas? Na PNL, essas categorias de submodalidades são chamadas de localização, posição e movimento. Pois então, hoje, quando observo uma pessoa se comunicando, focalizo minha atenção em suas representações. Muitas vezes, principalmente quando a pessoa olha através de mim, percebo que estou dentro dessa aura, assim como a mesma pessoa está dentro da minha! "Confie no seu Inconsciente!".

Essas experiências, por si só, já são suficientes para criar uma nova maneira de se relacionar com a vida. Essa atitude, que eu acredito ser o coração da PNL, é algo que surge naturalmente a partir da vivência de determinadas situações de vida que acabam por delimitar no espaço e no tempo a identidade dos experimentadores. O resultado de todo esse processo são muitas novas motivações para continuar essa grande pesquisa que é estar vivo, abrir os "olhos" (percepções) e respirar (impulso básico da natureza da existência).

Conclusão

As percepções apresentadas nesse artigo compõem uma jornada de descoberta muito comum nos estudantes de PNL. Isso ocorre a tal ponto que a sede de mudança, conhecimento e novas aprendizagens torna-se quase insaciável, em geral, contribuindo para o despertar de novos interesses e novas identidades. Esse texto demonstra bem o que isso significa.


Sobre o Autor:

Walther Hermann

Educador, conferencista, escritor, coach, constelador, hipnólogo e consultor especialista em aprendizagem inconsciente, NLP Trainer & Design Human Engineer formado por Richard Bandler, mediador do Programa de Enriquecimento Instrumental (PEI), treinado em Hipnose Ericksoniana pela The Milton Erickson Foundation (Phoenix, Arizona, USA) e pelo ACT Institute (New York, USA); instrutor de Tai Chi Chuan; co-criador do “Curso de Inglês ONLINE” do IDPH e mantenedor do site www.idph.net; autor e editor dos livros “MAPAS MENTAIS – Enriquecendo Inteligências” (2005), “DOMESTICANDO O DRAGÃO – Aprendizagem Acelerada de Línguas Estrangeiras” (1999), “O SALTO DESCONTÍNUO” (1996) e “HISTÓRIAS QUE LIBERTAM” (2000) e de várias palestras gravadas em CD de áudio.

Criador do Sistema de Aberto de Aprendizagem de Línguas (OLeLaS)

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

IBC

banner-descubra-pnl-v3 ibc

Anúncios Google

IBC

banner-descubra-pnl-v3 ibc

Thalentos

thalentos 2014

Ideah

Instituto Ideah

Congresso PNL 2017

banner-congresso