"As coisas mais difíceis de se ver são as que estão debaixo de nossos olhos." V. G. Rossi

Resolução da Perda

 

Introdução

Nós estamos ensinando o processo de resolução da perda nos treinamentos de Master Practitioner desde que o desenvolvemos a cerca de quatorze anos atrás. O livro "Heart of the Mind" (1, Ch.11, em português, A Essência da Mente) tem uma introdução a esse processo, e um exemplo é fornecido na demonstração em vídeo tape Resolução da perda (2) feita por Connirae. Esse processo é muito útil algumas vezes, visto que o efeito de vazio e de tristeza da perda em reação a perda de uma pessoa querida é algo que todos irão experienciar em algum momento da sua vida, e muitas pessoas experienciam muitas perdas significativas. Muitas vezes, o luto não resolvido é um dos principais fatores não reconhecidos no amplo conjunto de outras dificuldades e que levam as pessoas a procurarem terapia, inclusive a falta de motivação, depressão, doenças crônicas e crises da meia idade.

Quando nós decidimos modelar, pela primeira vez, a reação ao luto nós comparamos as experiências de pessoas que, particularmente, se desembaraçaram bem ao lidar com perdas significativas, com as experiências daqueles que ainda estavam experienciando tristeza e mágoa, e que tiveram dificuldades em continuar a sua vida depois de uma perda.

Nós descobrimos que todos aqueles que estavam sofrendo – seja a pouco ou a longo tempo – fizeram algo que pode ser enquadrado num dos dois caminhos seguintes:

1. Recordação do término

. Muitas vezes eles cometem o erro de recordar o término do relacionamento, ao invés da conexão querida em si. Por exemplo, eles podem recordar a última discussão acalorada que levou ao rompimento, ou ao desgastante processo de divórcio, a uma horrível doença terminal, ou quaisquer outros eventos desagradáveis que resultaram no término do relacionamento em vez do relacionamento amoroso em si.

Mesmo quando eles recordam desse evento de uma maneira dissociada, como se fosse visto numa tela de TV, os sentimentos são de desagrado no lugar da conexão amorosa. Muitas pessoas recordam esses eventos como se eles estivessem acontecendo aqui e agora, com a total intensidade do desentendimento, como ocorreu no evento original. Esse término do relacionamento não é a experiência querida pela qual a pessoa está sofrendo, e esse erro comum torna impossível experienciar os sentimentos especiais de amor que eles tinham com a pessoa perdida.

Quando alguém recorda o término, uma das primeiras etapas do processo é pedir-lhes para pensarem do que eles gostavam e apreciavam no relacionamento perdido, ao invés do fim do relacionamento. Isso é uma solicitação para o cliente mudar o conteúdo da suas representações.

2. Dissociação.

Outros recordam do relacionamento amoroso, mas de um modo distante, separado, ausente ou irreal, resultando num sentimento de vazio, em lugar da abundância que a pessoa experienciava no relacionamento amoroso. Existe uma variedade de caminhos para representar internamente o que está separado ou dissociado. Você pode fazer uma imagem da pessoa a uma grande distância, ou você pode se ver com a pessoa perdida, os dois divertindo-se juntos. Você pode ver uma depressão no colchão da cama mas ver que não existe ninguém lá, ou a imagem da pessoa amada pode aparecer transparente, indistinta ou como um fantasma, etc. Uma pessoa teve um relacionamento que ocorreu, na maior parte das vezes, pelo telefone e depois que essa pessoa morreu, ele ainda podia ouvir a voz, mas ela soava "metálica" como se fosse gravada, significando que era imaginária.

Com todas essas maneiras diferentes de representar a pessoa como distante e separada, os bons sentimentos de estar junto a ela, estarão perdidos. Só existe um sentimento de vazio e isso causa a tristeza e o sofrimento.

Resignação

Quando entrevistamos as pessoas que disseram que foram bem sucedidas em lidar com as suas perdas, descobrimos que um bom numero delas continuava a viver com um sentimento de resignação ou com uma discreta frustração. Quando pedimos que elas pensassem na pessoa perdida, muitas vezes suspiravam, seus ombros caíam ligeiramente e sua respiração se tornava mais superficial. Algumas até diziam "Eu estou bem," mas com uma tonalidade alta e forçada. Embora isso seja algo melhor do que desatar num choro incontrolável, estava claro que a perda não estava resolvida. Haviam "tratado" dela somente para que ficasse sob controle e assim não se intrometesse no seu dia a dia.

Recursos para a reação contra a perda

Entretanto, existiam outros que haviam lidado com suas perdas de uma maneira muito mais positiva e proveitosa. Quando perguntávamos a eles sobre uma perda, muitas vezes aparecia um sorriso e uma suavização no rosto, um suave levantar dos ombros, e uma respiração mais profunda. Eles podiam falar sobre a pessoa perdida com ternura, afetividade e alegria. Uma mulher disse "Quando eu penso no Joe, é como se ele estivesse aqui comigo. Se eu estou no supermercado escolhendo laranjas, ele está lá comigo me ajudando a escolher as melhores, bem como ele fazia." É claro que esse tipo de reação é muito mais agradável, e fornece um acesso fácil para todos os sentimentos especiais que eles tiveram com a pessoa que agora se foi. Essas foram as pessoas que nós estudamos para descobrir como elas podiam estar harmoniosamente alegres apesar da perda significativa.

Quando perguntamos a elas como pensavam na pessoa perdida, descobrimos que, literalmente, todas pensavam como se elas ainda estivessem presentes, e isso lhes dava acesso a todos os sentimentos bons que eles tinham tido durante o relacionamento real. Existem muitas maneiras de fazer isso. Muitas vezes as pessoas irão simplesmente pensar na pessoa perdida como se ela estivesse próxima, em tamanho natural e em três dimensões, movendo-se e respirando, e capaz de oferecer tanto conversação verbal como reações não verbais, como se ela estivesse fisicamente viva e presente no mundo real. Algumas representam a pessoa perdida como se ela estivesse fisicamente presente no seu coração, ou no peito, ou presente em todo o seu corpo de um certo modo. Uma outra sentia a pessoa perdida como se fosse algo que envolvia confortavelmente todo o seu corpo. Outras tinham diferentes maneiras de representar a pessoa perdida, mas, em todas elas, isso resultou num forte sentimento de que a pessoa perdida estava presente integralmente com elas nesse instante, e fácil de ser tocada.

"Constância do objeto"

Quando pensamos um pouco sobre isso, nos damos conta que esse meio de recordar da pessoa perdida não é realmente diferente do que a maioria de nós faz, quando alguém que nós amamos, está fisicamente ausente por um curto período. Pense agora em alguém, muito especial para você num relacionamento atual, mas que neste momento não está fisicamente perto, e note como você a representa em sua mente. Que imagens, sons, vozes e sentimentos você utiliza ao pensar nesta pessoa?

Quando eu (Steve) faço isso com Connirae que, neste momento está na cidade fazendo compras, ela está de pé do meu lado esquerdo, em tamanho natural e respirando, e ela se sente presente comigo, como se realmente estivesse no mesmo aposento, e assim os bons sentimentos que eu tenho tido com ela estão facilmente acessíveis para mim. Mesmo que seja possível que ela tenha morrido num acidente de carro, ou fugido com outro homem, eu posso representá-la como se o relacionamento ainda existisse, e desfrutar de todos os ardentes sentimentos que fazem parte deste relacionamento. Os psicólogos chamam essa habilidade de "constância do objeto" e os princípios usados no processo da resolução da perda também podem ser usados para ensinar essa habilidade.

Ansiedade da separação

Constância do objeto é uma habilidade que as crianças pequenas ainda não aprenderam. Quando a mãe sai, como se ela tivesse ido embora para sempre, e as crianças pequenas choram inconsolavelmente, isto é muitas vezes chamado de "ansiedade da separação." Felizmente, a maior parte das crianças também não é capaz de manter a imagem da saída da mãe em suas consciências por muito tempo, e são facilmente distraídas por outros eventos. Leva algum tempo para a criança aprender como manter uma imagem associada da mãe com elas, e assim elas podem reter o sentimento de conforto e segurança do relacionamento quando ela sai por um curto espaço de tempo.

Como mostramos acima, é independente da "realidade" se uma pessoa pensa em alguém como presente ou ausente, como também um observador de fora não poderia dizer se lá existe um relacionamento atual ou não. É somente dependente de como a pessoa representa a pessoa querida em sua mente, e isso é a chave do processo de resolução da perda.

A essência desse processo é ensinar essa importante habilidade para alguém que está sofrendo a perda de alguém que agora está representado como separado e perdido. Já que existem várias maneiras de como, precisamente, uma pessoa individual representa alguém que tanto pode estar perdida como presente, primeiro temos que reunir alguma informação para descobrir exatamente como essa particular pessoa faz isso.

Reunindo informações

Perguntamos a alguém que está sofrendo para pensar primeiro sobre alguém em especial que está presente em sua vida (apesar de não estar fisicamente presente no momento, e que pode estar morta ou ter ido embora para sempre), e então sobre a pessoa por quem ela está sofrendo. Então pedimos para ela pensar nas duas ao mesmo tempo, e solicitamos que ela observe as diferenças no processo de submodalidades entre elas. A perda, de algum modo, será normalmente representada como distante e separada, e com um sentimento de vazio emocional, enquanto o relacionamento existente será representado com um sentido de presença e de plena emoção.

Normalmente, existirão diferenças muito importantes na localização dessas representações no espaço pessoal. Por exemplo, uma pode estar perto, na esquerda e grande, etc., enquanto a outra estará mais afastada, na direita e menor, etc. É comum existirem outras diferenças. Uma imagem pode estar mais brilhante do que outra, mais colorida, ou movendo-se, uma pode ser silenciosa enquanto outra tem sons e vozes, etc. Todas essas diferenças são completamente independentes do conteúdo das representações. Uma vez conhecidas essas diferenças, é bastante simples o processo para transformar uma situação de vazio e de sofrimento numa de plenitude e regozijo.

Habitualmente tomando a imagem da experiência da perda e movendo-a para a localização da experiência da presença é tudo que é necessário para transformar a perda em uma experiência de presença sentida. Normalmente as outras diferenças em brilho, cor, movimento, etc., vão mudar espontaneamente quando a localização é mudada. Se esses outros parâmetros não mudarem espontaneamente, nós simplesmente pedimos ao cliente para mudá-los até que a experiência da perda é totalmente transformada em uma experiência de presença.

Quando essa transformação estiver completa, eles irão recuperar os bons sentimentos que tinham com a pessoa perdida. Muitas vezes quando isso ocorre, o cliente chora, mas essas lágrimas comparadas com as lágrimas da perda são muito diferentes. Essas são lágrimas de reencontro com os sentimentos perdidos, e é importante permitir que o cliente tome o tempo que for necessário para experienciá-las plenamente.

Ressignificar as Objeções

A maioria das pessoas fica muito contente ao ser capaz de transformar seu sofrimento para uma re-conexão com a experiência perdida, mas algumas terão objeções. Antes de continuar, é muito importante respeitar essas objeções, e descobrir qual o objetivo positivo de cada objeção. Uma vez seja conhecido o objetivo, a tarefa é descobrir uma maneira para que a transformação também não interfira com o objetivo da objeção, ou até mesmo lhe forneça um melhor suporte do que o sofrimento. Aqui estão alguns exemplos:

1. "Eu não quero dizer adeus." "Eu concordo plenamente com você. Muitas pessoas têm a noção errada de que eles têm que dizer adeus para poderem parar de sofrer, mas é exatamente o oposto. O que é necessário é dizer alô de novo e restabelecer a conexão amorosa que uma vez você já teve com esta pessoa."

2. "Se eu tenho a sensação de que a pessoa perdida está aqui comigo, as pessoas vão pensar que eu sou um desequilibrado." "Nós certamente não queremos que isto aconteça. Mas eu penso que isto somente seria um problema se você falar com ela em voz alta. Durante a sua vida você pensa sobre outras pessoas, e talvez até mesmo tenha tido conversas internas com elas – eu sei porque eu tenho – sem que os outros tivessem a mínima idéia do que estava se passando na sua cabeça."

3. "Se eu experiencio a pessoa perdida como estando aqui comigo, isso, na realidade, pode interferir no meu relacionamento com outras pessoas." "Nós certamente não queremos fazer nada que possa interferir na maneira como você se relaciona com os outros no presente. Eu penso que você pode concordar que a sua preocupação com o luto pela pessoa perdida tem tido uma grande interferência no seu relacionamento com as ouras pessoas. Por outro lado, a maneira que você pensa dos seus amigos lhe dá um sentido de conexão que, normalmente, suporta sua ligação com os outros quando isto é apropriado, e eu posso lhe prometer que pensar sobre a pessoa perdida irá funcionar da mesma maneira. E naturalmente, se eu estiver errado, nós sempre podemos mudar de novo para o modo que está hoje."

4. "Estar de luto é uma maneira de reverenciar os mortos." "Eu encorajo completamente esse seu desejo de reverenciar a pessoa perdida e estar de luto é certamente uma expressão da intensidade dos seus sentimentos. Por outro lado, que melhor maneira de reverenciar essa pessoa poderia ter do que ser carregado alegremente no seu coração pelo resto dos seus dias?"

"Se você morrer amanhã, você gostaria que as pessoas que você ama ficassem sofrendo ou infelizes, ou que se lembrassem de você alegremente com sentimentos plenos de amor e apreciação pelas suas qualidades especiais enquanto elas continuam com suas vidas? Qual a maneira que você pensa que a pessoa que você perdeu iria preferir?"

5. "Bem, eu acho que seria bom eu fazer isto, mas eu se ficasse feliz com a pessoa que se foi, minha família e meus amigos pensariam que eu não me importava com ela." "Você quer ter certeza que aqueles ao seu redor não lhe interpretam mal. Você tanto pode explicar em detalhes o que você está experienciando, e oferecer a elas o mesmo tipo de escolha que eu estou lhe oferecendo, ou você pode simplesmente colocar um rosto triste nas horas apropriadas, para se encaixar na idéia deles de como você deveria estar reagindo."

Qualquer que seja a objeção, nós assumimos que ela está baseada num objetivo positivo e vantajoso com o qual a pessoa está preocupada, e nossa tarefa será descobrir uma maneira para que ela possa prosseguir com o processo de resolução da perda, confiante de que a objeção será inteiramente respeitada, e seus objetivos positivos preservados.

Resumo da Resolução da perda

Parte I: Reencontro com a experiência perdida

Alguém que está sofrendo de luto, normalmente representa a pessoa perdida como separada dele no passado. A parte I do modelo da perda recupera essa experiência perdida para que ela se torne um recurso associado plenamente experienciado no presente. As etapas seguintes foram escritas como instruções para você aprender esse processo, tanto com você mesmo, e/ou trabalhando com alguém.

Etapa preliminar: encontre um estímulo para "quebrar o estado." Se a pessoa está chorando, deprimida, etc., você precisa encontrar uma maneira de mudar esse estado para um estado mais conveniente antes de você tentar iniciar o processo. Mesmo se o cliente inicia o processo em um bom estado, ele pode escorregar para o sofrimento quando você iniciar as primeiras etapas do processo, e assim, você pode precisar ser capaz de quebrar o estado mais tarde. Pedir para o cliente ficar de pé e caminhar em volta da sala, introduzindo uma distração que o surpreenda, ou perguntando a ele sobre uma experiência de recursos ou competência, etc., normalmente será suficiente para quebrar o estado.

1. Perda (ausência/vazio): Pense em uma experiência das duas opções seguintes:

a. Uma perda verdadeira com a qual você está sofrendo e sobre a qual você tem um sentimento de vazio ou ausência, ou uma perda com a qual você ainda não conseguiu lidar com ela. "Pense em alguém pelo qual você está no momento sofrendo a perda, ou numa perda não resolvida que faz você ficar inconfortável quando pensa sobre ela." Tenha certeza de que a sua representação é a que você valorizou e não queria perder, não a perda do relacionamento. Por exemplo, se o seu filho morreu de câncer, e você recorda da criança como enfraquecida e em coma pouco antes da sua morte, isto não é provavelmente que você está pesaroso pelo que você não tem mais. O que o conduz para o sofrimento é o que você valorizou e agora perdeu – as risadas e as brincadeiras da criança, as qualidades especiais, a promessa de futuro, etc. Se a pessoa que só olha a criança doente ou um caixão perguntar "Como você sabe que algo valorizado foi perdido?" ou "Como você sabe que vale a pena sofrer sobre isto?" até ela pensa sobre a experiência valorizada, não sua negação. Esta etapa é extremamente importante, pois o modelo não irá funcionar sem ela, e qualquer tentativa de prosseguir com o processo, lançará o cliente para um dissabor desnecessário.

b. uma perda potencial que você espera nunca acontecer, mas se acontecer, você gostaria de estar preparado para ela. "Pense em alguém que lhe é muito estimado e represente esse relacionamento especial, apesar de que há muito tempo você não o vê." Você pode imaginar que acabaram de lhe dizer que ele morreu recentemente num acidente de carro, e use esta representação. Se você escolher essa opção, você estará fazendo "pré-luto," programando uma reação benéfica para uma possível perda futura.

Calibração: enquanto a pessoa acessa a experiência da perda, note todas as reações não verbais que você pode observar na sua respiração, postura, expressões faciais, etc., pois assim, mais tarde no processo, você pode reconhecer quando ocorrer a mudança e observar se esse estado torna a ocorrer.

2. Presença (plenitude): "Agora pense em uma experiência de uma das seguintes opções":

a. Uma perda experienciada como presença: "Pense sobre uma experiência positiva de uma perda que ocorreu que você não sente como uma perda. Apesar de que ele está morto ou se foi, você sente a pessoa perdida como ’ainda com você’ de uma maneira positiva e com recursos. Você ainda pode sentir todos os bons sentimentos que você teve com esta pessoa especial. Você tem um sentimento vital de presença ou plenitude quando você pensa nessa pessoa, como se ela não estivesse perdida para você."

b. Alguém que você se importa mas que não está presente no momento: "Pense em alguém que normalmente está acessível na sua vida mas que não está fisicamente presente nesse momento enquanto você pensa agora sobre ela. Por exemplo, você tem um grande amigo, uma esposa ou um filho que está distante no momento. Mesmo quando você pensa sobre essa pessoa, você experiencia ele/ela com você como um recurso presente. Muitas pessoas podem facilmente pensar num exemplo como esse. Mesmo para alguém que é muito isolado socialmente, existem algumas breves experiências de relacionamentos afetuosos." (E se você não pode descobrir um, você pode ajudá-los a criar um.)

Advertência: Se você usar essa opção, seja muito cauteloso sobre pressuposições que podem ser ligadas a essa experiência e que pode não ser apropriado, algo como que esta pessoa pode sempre ser contatada de novo no mundo real. Você pode dizer "Nós estamos somente usando essa experiência para descobrir que você já sabe como representar alguém como presente com você, e assim você pode aprender como recuperar os sentimentos que teve nesta experiência perdida. Nós dois sabemos que você não será mais capaz de contatar com esta pessoa perdida na vida real no futuro, da mesma maneira que você pode fazer com alguém que ainda está na sua vida."

Calibração: repare em todas as reações não verbais que distinguem esse estado do estado anterior da experiência de perda. Mais tarde você irá usar essas reações para verificar se a perda foi transformada com sucesso em presença.

3. Análise contrastante: "Compare essas duas experiências internas de perda e de presença, a fim de reparar nas diferenças do processo em como você pensa sobre elas. Quando você pensa sobre a experiência da perda, o que você vê/ouve/sente (palpável)? Quando você pensa sobre a experiência da presença, o que você vê/ouve/sente (palpável)?" A localização dessas duas representações no espaço pessoal da pessoa é particularmente importante, e pode ser toda a informação que você realmente necessita. (Se a pessoa está com uma considerável aflição, vá direto para a etapa 5.) Faça uma lista de todas as diferenças de submodalidades do processo entre as duas. Por exemplo, a perda pode estar dissociada, imóvel, como uma foto em preto e branco, enquanto a presença é associada a um filme colorido, etc. Observe especialmente as diferenças no filme/slides, associação/dissociação e transparência.

4. Teste as diferenças de submodalidades (opcional). Normalmente tudo o que realmente se precisa é a localização das duas representações no espaço, mas algumas vezes é vantajoso conhecer sobre outras diferenças, e elas podem dar informações úteis para serem verificadas mais tarde, bem como uma base experimental valorizada para trabalhar com outros clientes.

Tente mudar cada uma das diferenças de submodalidades na sua lista, uma de cada vez, para modificar a experiência perdida e fazê-la similar a experiência da presença. Por exemplo, "Olhe atentamente a fotografia imóvel, e permita que ela se desdobre num filme contínuo do que aconteceu antes e/ou depois da fotografia imóvel. Quando o imóvel se tornar um filme, observe em que extensão isto muda o seu sentimento de perda em um sentimento de plenitude." Posteriormente mude cada submodalidade antes de testar a próxima. No exemplo dado, você podia fazer o filme da perda voltar para um slide antes de trocar o preto e branco por cores. Descubra quais submodalidades são mais poderosas em reduzir o sentido cinestésico da perda e aumentar o sentimento da presença. Se você descobrir que mudando uma submodalidade automaticamente muda algumas outras submodalidades na sua lista, isto é uma indicação de que ela é uma das mais poderosos, a qual chamamos de "condutora".

5. Verificação de congruência: "Você tem alguma objeção em mudar sua experiência dessa perda, pois assim você experiencia esta pessoa como sendo um recurso presente? Algum membro da sua família poderia desaprovar se você parar de estar de luto agora?" Satisfaça qualquer/todas as objeções antes de prosseguir, principalmente através da ressignificação do conteúdo, como discutido anteriormente.

6. Transformação ("mapping across"): Mude a experiência da perda para uma de presença e plenitude, começando com a mais poderosa das submodalidades que você identificou. Normalmente, será suficiente mudar a localização da imagem da perda para a localização da imagem da presença, e todas as outras diferenças irão mudar espontaneamente. "Permita esta imagem da pessoa perdida dar lugar para a localização da imagem da presença." Mas ocasionalmente, também é útil sugerir fazer outras mudanças. "Enquanto esta imagem se move para esta outra localização, provavelmente, você irá perceber que ela também adquire tamanho natural em três dimensões, a cor mudará para tons pasteis, etc." Normalmente o conteúdo da representação permanece o mesmo. Entretanto, há vezes em que o conteúdo pode mudar espontaneamente, ou necessitar ser ajustado para igualar a estrutura da presença.

Enquanto a pessoa faz as mudanças, existe normalmente uma postura suave, relaxada e aspectos faciais, e muitas vezes lágrimas. Normalmente são as lágrimas agradáveis do reencontro, e isso é um sinal muito bom de que a transformação da experiência da perda ocorreu de uma maneira poderosa. Entretanto, como eu não posso sempre dizer a diferença entre lágrimas de reencontro e lágrimas de luto, eu pergunto sempre para ter certeza. "Eu preciso verificar algo com você, existem lágrimas de tristeza quando algo está perdido, e existem lágrimas de reencontro quando algo é recuperado. Eu penso que o que você está experienciando agora são lágrimas de reencontro, está certo?" Se elas são realmente lágrimas de tristeza, isso significa que deixamos escapar algo nas etapas anteriores, e é necessário retornar uma ou duas etapas para determinar o que está incompleto, e finalizar antes de prosseguir.

7. Teste: "Pense agora sobre a experiência da perda. Você a sente como um recurso do mesmo modo como a experiência original da presença? A nova representação da perda está agora igual a da presença, em termos de submodalidades?" Observe as reações não verbais da pessoa para ver se combina com a calibração que você fez na "presença" da experiência original (etapa 2). A direção do olhar fixo é normalmente uma indicação muito boa se ele/ela estão pensando sobre a experiência da perda ou da presença, mas devem existir muitas outras diferenças que lhe darão a mesma informação. Se ainda existirem diferenças, identifique-as e as use para completar a mudança. Ocasionalmente umas poucas diferenças irão permanecer entre a experiência original da presença e a nova representação do que previamente foi uma perda. Contanto que a pessoa a sinta como uma poderosa presença, ela não precisa ter uma combinação perfeita.

Parte II: Reencontro com o mundo

A parte I utiliza todos os recursos internos e compilações que a pessoa já usa para transformar uma experiência de algo perdido no passado em um recurso experienciado no presente. As estratégias naturais de algumas pessoas para superar a perda não implicam em programá-las para procurar alguma experiência nutritiva apropriada no mundo real para repor as que foram perdidas. É possível que elas possam sentir-se bem com seus recursos internos, e só querem sentar-se num armário pelo resto das suas vidas. A parte II origina-se a partir das estratégias mais efetivas para superar uma perda, e para certificar-se de que a pessoa efetivamente irá procurar novas experiências apropriadas no futuro.

1. Acesse a experiência valorizada: "Tome a experiência valorizada que você acabou de transformar de uma perda para presença e plenitude, e representa-a de qualquer maneira que seja natural e mais fácil para você agora."

2. Identifique os valores/objetivos: "Mantendo esta representação na mente, identifique e represente numa localização diferente as qualidades, os aspectos, os valores e os objetivos desta experiência que a faz valorizada e especial para você. Por exemplo, se você perdeu um bom amigo, talvez você valorizava esta amizade porque você sentia que só podia ser você mesmo com essa pessoa, ou você gostava do particular senso de humor bizarro que ele tinha. Pense nas qualidades especiais do relacionamento que você tinha com essa pessoa - amor, conforto, estabilidade, ternura, humor, espontaneidade, ou qualquer outra que era muito especial para você sobre as experiências que você dividiu com essa pessoa. Eu quero que você pense nessas qualidades que fizeram esse relacionamento valorizado. Faça a você mesmo a pergunta ‘O que este relacionamento me dava que era tão valorizado?’"

Enquanto forem dadas essas instruções, pode ser útil gesticular primeiro para a localização no espaço onde a pessoa representa a presença, e então para uma localização distinta, no quadrante do campo visual no qual a pessoa constrói as imagens (normalmente para cima a direita).

3. Transformação "Se esse tipo de experiência, com essas qualidades forem ocorrer no futuro, qual forma elas podem tomar? Como você pode experimenciar essas qualidades e satisfazer esses objetivos de diferentes maneiras com outras pessoas no futuro, considerando a sua idade atual e a situação de vida, etc.? Preservando essas qualidades, valores e objetivos, permita formarem-se representações adicionais (gesticulando agora para outra localização, também no quadrante visual construído) que são apropriadas para quem você é agora e para o futuro. Essas representações provavelmente serão algo diferentes das experiências que você teve no passado, a fim de serem congruentes com quem você é agora e o que está realisticamente disponível para você agora e para o futuro. Essas representações devem ser atraentes e convincentes, mas como outras representações futuras, elas não devem ser muito específicas; devem ser algo vagas e não claras, permitindo uma grande variedade de possibilidades, e a inevitável incerteza do futuro."

4. Verificação de congruência: "Você tem alguma objeção de ter esse tipo de experiência ou instruções como parte do seu futuro?" "Poderia alguém mais em sua vida ter alguma objeção para isso?" Objeções nesse ponto são raras, mas se existir alguma, simplesmente termine o trabalho para ajustar as representações num caminho apropriado, e/ou ressignifique para satisfazer qualquer e todas as objeções antes de continuar.

5. Colocando a nova experiência no futuro: "Agora eu quero que você tome essa imagem e primeiro faça-a brilhar, e depois multiplique-a numa pilha como um baralho de cartas. Conforme as cartas se multiplicam, espontaneamente cada uma se tornará um pouco diferente, cada uma poderá ser uma possibilidade diferente para poder ter esse tipo de experiência no futuro. Depois arremesse essas cartas para o seu futuro e assim elas vão se espalhar e cair em muitos lugares diferentes. Quando você tiver terminado, você verá inúmeros pequenos pontos de luz cintilando que indicam onde cada carta aterrissou no seu futuro, puxando-o para frente." (comentário: obrigado a Robert McDonald por esse embelezamento especial)

Perdas Traumáticas

Algumas perdas estão matizadas com o choque traumático de um súbito acidente de carro, ou o dissabor de uma doença terminal. Neste caso é crucialmente importante separar a experiência valorizada que foi perdida da maneira traumática em que foi perdida, e tratar diferentemente essas duas experiências. "Olhe, a perda que você experimenciou é muito diferente da maneira que ocorreu a perda. Você está sofrendo pela pessoa, não pelo acidente de carro que causou sua morte. Agora eu quero que você separe a relação amorosa da maneira pela qual ela terminou em duas localizações diferentes (gesticulando para duas diferentes localizações no espaço)." Primeiro use a cura da fobia/trauma (1, Ch.7) com o dissabor, e depois use o processo da resolução da perda com a perda.

Raiva e ressentimento: Se existir uma significativa raiva ou aborrecimento, isso irá interferir com a resolução da perda, e assim, é importante resolver primeiro isso, usando o modelo do perdão (3).

Outras aplicações - Conteúdo diferente

Apesar de que o luto é normalme

Comentários   

0 #1 adriana 01-09-2010 11:49
Bom dia. o artigo fresolução da Perda foi cortado. Gostaria de tê-lo inteiro.
Obrigada
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