"Muitas vezes nossa maneira de justificar um erro agrava o erro." Shakespeare

PNL: O Entendimento das Dificuldades Pessoais na Educação

 

Uma ciência ainda nova e pouco difundida longe dos grandes centros, a Neurolingüística tem feito sucesso entre pesquisadores do eixo Rio - São Paulo e promete resultados vantajosos para os que conhecem ou se submetem às suas técnicas. Sem se rotular como terapia, a Programação Neurolingüística, desenvolvida por dois americanos há pouco mais de duas décadas, surge como uma nova promessa para o entendimento de muitas dificuldades individuais, sobretudo aquelas associadas ao auto conhecimento. Presidente da Sociedade Brasileira de Programação Neurolingüística, o paulista Gilberto Craidy Cury, formado nos Estados Unidos, ministra cursos há 16 anos e garante: utilizando-se a Neurolingüística em qualquer área, inclusive na educação, os resultados trarão o que de melhor o ser humano pode produzir. Ao jornal da Fiep ele deu uma entrevista.

O que é Neurolingüística?
É difícil fazer uma síntese porque é um campo de estudo muito amplo. A Neurolingüística estuda o ser humano, estuda a excelência do ser humano no que quer que ele faça. Numa definição técnica, é o estudo da estrutura da experiência subjetiva do ser humano.

Em termos práticos o que quer dizer isto?
Em resumo, é como funcionamos dentro da nossa cabeça, como fazemos para ficarmos alegres, tristes, para nos decepcionarmos. É como fazemos para gostarmos de nós mesmos ou não. Enfim, como é que o ser humano funciona. A Neurolingüística ensina o ser humano a usar os recursos que ele tem em seu próprio benefício, para ser mais feliz, mais resolvido. Para ser um ponto de influência positiva no sistema no qual ele opera , que é a família, o trabalho, os amigos.

De que técnicas a Neurolingüística se utiliza para chegar a este resultado?
De técnicas de Programação que foram desenvolvidas a partir da década de 70 por dois americanos , que resolveram partir da premissa de que qualquer terapeuta bom seria eficiente em qualquer linha em que atuasse. Então travaram conhecimento com os terapeutas de mais destaques em diversas áreas e passaram a estudá-los, observando o que faziam e o que dava certo. E aí começou a Programação Neurolingüística (PNL). Mas ela não deve ser considerada uma linha terapêutica. Pode ser usada desta forma, ou como um agregado de qualquer linha terapêutica. O melhor é que seja encarada como uma linha gerencial, de administração. Pode ser vista, também , como uma linha que estuda os relacionamentos, como auto- ajuda.

Por que não rotular a PNL de terapêutica? Seria pelo fato de não se aplicar a tratamentos?
Na verdade , ela pode ser utilizada para tratamentos, mas não só para isto. A PNL pode ser usada em qualquer área em que o ser humano atue, até dele com ele mesmo. Não há uma área específica. Ela também não é uma linha terapêutica porque normalmente uma linha terapêutica tem uma personalidade própria. Por exemplo, quem usa Freud, usa Freud e a Neurolingüística usa Freud junto com Jung, junto com Lacan e com o Behaviorismo. A PNL usa qualquer uma dessas linhas como uma ferramenta útil.

A Neurolingüística não é bem vista pelos terapeutas tradicionais. Por que?
Eu vou discordar em parte da sua afirmação. A Neurolingüística é mal vista por alguns ou em geral, por quem tem pouca informação. Ou tem informações falha ou errônea. Nós damos cursos no Brasil há 16 anos e os alunos, em sua maior parte são terapeutas. E eu diria que em grande maioria sai usando e gostando da Programação, agregando a PNL ao que eles vêm fazendo. Então, essa afirmação de que terapeuta não gosta , eu diria que é verdade, em parte. É verdade para quem ainda não conhece, que é a maioria dos casos.

De que modo Neurolingüística pode auxiliar na educação dentro das escolas, das salas de aula?
Eu acho que há dois aspectos principais no que se refere a educação. Um é o exemplo que o professor dá. O professor educa pelo exemplo. A outra é o conhecimento que ele passa através da comunicação com os alunos. Então a PNL pode ser usada nesses dois aspectos: para ajudar o professor a ser uma pessoa mais integra, mais resolvida. Vai ainda ajudar o professor a se comunicar com os alunos de uma forma melhor. E aqui podemos abrir um novo leque. Se o estudante tem dificuldade de aprendizagem, a PNL pode ajudar o professor a entender melhor qual é o problema que está acontecendo na cabeça do aluno, que o leva a não aprender direito determinada matéria. Isso usando técnicas que, no momento de serem aplicadas, não vão parecer técnicas, mas simplesmente, uma conversa ou coisa do gênero, em que o aluno se integre mais aquele conhecimento. Isto é, aceite melhor aquele conhecimento para que elimine as resistências e passe a gostar mais do que está fazendo.

Para utilizar as técnicas da PNL o professor tem que conhecê-las. Mas ele tem também que se submeter a tratamentos?
Não, eu diria que não. Se ele quiser, vai ajudá-lo como pessoa, assim como vai ajudar o engenheiro, a dona de casa, um empresário, ou qualquer um. Eu acho que qualquer um lucra em conhecer-se mais. Mas se o professor conhecer Neurolingüística, certamente vai poder utilizá-la na educação e a qualidade das aulas que dá deve melhorar sensivelmente.

Quais são os caminhos para o professor aprender Neurolingüística?
Existem, no Brasil, muitos livros traduzidos sobre Neurolingüística. Ainda não existe um livro específico para educação em Português. Existe em outros idiomas. Mas há muitos cursos nessa área. Só nos estamos trabalhando já há 16 anos. Acho que a maioria das pessoas que estão utilizando hoje a PNL foi treinada por nós.

O senhor sugere livros?
Dependendo do estilo de cada pessoa, um livro vai encaixar melhor que o outro. Mas eu posso sugerir o "Sapos em Príncipes", que é um livro introdutório de Programação Neurolingüística. Há um outro, publicado há pouco tempo, e que se chama "Introdução à Programação Neurolingüística", de Joseph O’Connor e John Seymour. Os dois são da Editora Summus. Há o livro do Anthony Robbins, que é um best seller e trata basicamente de PNL. O nome é "O Poder sem Limites". Do mesmo autor, há ainda o "Desperte o Gigante Interior", que é também muito interessante, entre diversos outros.

A Neurolingüística pode explicar por que é que alguns alunos vão mal na escola?
Há ai diversos aspectos a serem considerados. Um deles é a maneira como o professor ministra a aula, ás vezes, não se encaixa com a maneira que o aluno usa para compreender a informação. Muitas vezes ele é bom aluno em Matemática num ano e, no ano seguinte, passa a ser um mau aluno na mesma matéria. Isso provavelmente é fonte da mudança de professor que, embora possa até ser um bom profissional, não está passando a informação do jeito que determinada pessoa possa entender adequadamente. Certamente , isso pode ser também um sinal de algum desequilíbrio na criança, ou gerado pela escola, ou gerado pela família, principalmente, que é onde mais acontece. Então a atitude dos pais influencia muito na qualidade da percepção do ensino que o aluno vai ter. Existem outros. Mas esses são os dois principais fatores.

No que se diz respeito ao professor, o mau resultado do aluno pode estar associado á forma como o professor se comunica?
Isso, a forma como ele se comunica, verbal e não verbal. A qualidade da relação dele com os alunos tem a ver com isso. Às vezes, o professor é um excelente profissional, mas tem uma relação pobre com os estudantes, em termos da empatia com seus alunos. O professor ideal, eu diria, é aquele que tem empatia, que sabe ensinar e que sabe aprender com os alunos . E, parte disto, a PNL pode ensinar ao professor.

COMO SE DÁ O PROCESSO DE APRENDIZAGEM NO INDIVÍDUO?
A Neurolingüística propõe uma teoria sobre a aprendizagem que leva em conta o fato de que o ser humano não vive no mundo que o cerca, mas na representação desse mundo. É o que ele vê, o que ouve e o que sente.

Segundo essa teoria, o ser humano recebe e processa as informações, sendo que algumas variáveis interferem nesse processamento. Uma vez que processa as informações, ele monta uma representação daquilo que viu ou ouviu e é com base nessa representação que age.

São muitos os fatores que influenciam o processo , a começar pelos objetivos que cada um tem. Segundo a Neurolingüística, o sistema de crença e de valores que a pessoa tem, e que é desenvolvido na criança basicamente até os sete anos, influi muito na forma como o ser humano processa as informações que recebe.

O mapa que a pessoa faz sobre mundo externo é formado com informações visuais, auditivas e sentimento das sensações, chamado de cinestésico. Ninguém é visual, é auditivo ou é cinestésico. É a soma dos três. Eventualmente, pelo meio em que viveu ou pela educação que recebeu, desenvolve mais um que outro . Mas pode se funcionar visualmente agora, dentro de dez segundos, mudar e vir a funcionar de modo mais cinestésico.

Explicando melhor, segundo a Neurolingüística, funcionar visualmente, por exemplo, é prestar mais atenção na parte visual da experiência que se vive em determinado momento, da experiência interna, principalmente, e isto acarreta diversos reflexos. As palavras que serão utilizadas para exprimir tal experiência vão refletir esse funcionamento visual. Nesse caso, ou em qualquer dos outros sistemas, existe uma parte do cérebro que fica mais irrigada e se aquece mais.

Então, se o indivíduo está funcionando mais visualmente, ele tende a usar mais palavras como "fotografia" , "ponto de vista", "nitidez", "é claro que estou certo", "a vida é colorida", etc. Se ele está funcionando mais auditivamente, tende a usar palavras como ritmo, gravidade, resposta, que são palavras auditivas. Se está funcionando mais de modo cinestésico, ele tende a usar palavras como " sentir, choque e impacto". Há também as palavras chamadas de inespecíficas, como a palavra pensar, que são utilizadas como coringas, que permitem que tanto quem fala como quem ouve utilize o sistema que mais for adequado naquele momento.

APRENDENDO MATEMÁTICA

Aprender Matemática com menor ou maior facilidade é visto pela Neurolingüística de modo que vai trazer esperanças para muitos alunos que se considerem um fracasso na matéria.

Segundo os especialistas ocorre muito freqüentemente o fato de um estudante sair-se bem num ano porque teve aí um professor que explicava mais visualmente e ele gostava, talvez porque funcione mais visualmente. No ano seguinte ele tem um professor que dá aula mais cinestésica de Matemática. Mas a estratégia de funcionamento interna para entender Matemática é enxergar.

As pessoas que fazem conta com muita rapidez, enxergam, vêem os números e têm a sensação de que o resultado a que chegaram está certo ou não, usando os três sistemas. Quem faz conta com dedos, hábito que indica um funcionamento auditivo que é ineficiente para fazer conta ( o visual é mais rápido e processa mais informações por vez, enquanto que o auditivo processa uma informação por vez) é mais lento e geralmente não gosta de Matemática.

Segundo a Neurolingüística, o indivíduo se utiliza dessa forma de entender a matéria porque aprendeu assim, mas há formas de mudar isso, porque o cérebro sempre faz o melhor que pode, desde que tenha essa opção. E só não se utiliza de determinada informação se não a possui. A partir do momento em que aprendeu, passa a utilizar o que for melhor para ele sempre e quando não faz é porque não tem opção.

Em São Paulo muitas escolas já estão utilizando as técnicas da Neurolingüística nas salas de aula. Em algumas, a maioria dos professores e diretores já conhece e se utiliza das técnicas como forma de facilitar o processo ensino e a aprendizagem. Fora isto, o Brasil, além dos Estados Unidos, é o país que mais tem livros publicados e pessoal treinado nessa área.

A HISTÓRIA DA NEUROLINGÜÍSTICA

Segundo definição de Joseph O’Connor e John Seymur, autores do livro Introdução a Programação Neurolingüística, PNL é a arte e a ciência da excelência das qualidades pessoais. É a arte porque cada pessoa imprime sua personalidade seu estilo aquilo que faz, algo que jamais pode ser apreendido através de palavras ou técnicas. E é ciência porque utiliza um método e um processo para determinar os padrões que as pessoas usam para obter resultados excepcionais naquilo que fazem.

Segundo ainda o mesmo livro, a PNL começou a desenvolver-se no início da década de70 a partir de trabalho conjunto de John Grinder, na época professor de Lingüística, e Richard Bandler, um psicólogo que também se interessava por psicoterapia. Juntos, os dois estudaram três grandes terapeutas: Fritz Perls, fundador da escola terapêutica chamada Gestalt; Virginia Satir, uma terapeuta familiar habituada a resolver problemas nessa área considerados intratáveis por outros especialistas; e Milton Erickson, um hipnoterapeuta reconhecido mundialmente.

Nem Bandler nem Grinder, segundo os autores, pretendiam iniciar uma nova escola de terapia, mas apenas identificar os padrões utilizados por esses excepcionais terapeutas, a fim de ensiná-los para outras pessoas. Nenhum dos dois estava, também, preocupado com teorias, mas em produzir modelos de terapia que funcionassem na prática e pudessem ser ensinados.

As descobertas que fizeram a partir do trabalho dos três terapeutas avaliados, que tinham personalidade muito diferentes, mas que usavam padrões semelhantes, foram relatadas em quatro livros publicados entre 1975 e 1977. Em 1976 , se reuniram para reavaliar suas conclusões e descobertas e se perguntaram que nome dariam àquilo.

A resposta foi Programação Neurolingüística, uma expressão que compreende três idéias: a Neuro, que reconhece o fato de que todo comportamento nasce de processo neurológico; a Lingüística, que indica que usamos a linguagem para ordenar pensamentos e comportamentos e nos comunicarmos com os outros; e programação, que refere-se à maneira como organizamos nossas idéias e ações a fim de produzir resultados.

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