"Computadores são rápidos, precisos e estúpidos. Humanos são lentos, imprecisos e brilhantes. Juntos eles são mais poderosos que se pode imaginar." Albert Einstein

Depois de "O que você quer?", Qual é a Próxima Pergunta?

Uma vez eu ouvi um comentário instigante do Robert Dilts, grande expoente da PNL: "Se você não quer nada, então a PNL não tem muito para te oferecer." É verdade, pensei para mim mesma naquele momento. A pergunta constante da PNL é, "O que você quer?" Inclusive esta pergunta fazemos como o primeiro passo de um trabalho de PNL, seja para um indivíduo ou para uma organização, antes de escolher o que fazer, como intervir, por onde mexer para conseguirmos resultados. Se não está querendo nada diferente para sua vida, não faz muito sentido se envolver nos processos que vão criar ajustes no seu pensamento, palavras, sentimentos e ação.

Esta pergunta "O que você quer?" merece ser bem trabalhada, de acordo com as Condições de Boa Formulação, para que a mente tenha uma representação interna poderosa e efetiva para favorecer o êxito. Um ponto bem importante é o de focar aquilo que você quer, em vez daquilo que não quer. Por exemplo: "Quero acabar com a minha dívida." é um objetivo louvável, porém com uma vulnerabilidade lingüística: foca naquilo que não está querendo - a dívida. Cada vez que pensa na sua meta, está pensando naquilo que é a fonte de incômodo, preocupação ou até medo e desespero. O objetivo é positivo no sentindo de querer algo melhor, mas negativo em termos lingüísticos.

Primeiro, vamos tratar da parte louvável do objetivo com a formulação. Que bom que está sabendo o que não quer. Melhor ainda se está farto e cansado da situação. Querer acabar com uma situação não desejável é uma grande estratégia de motivação. Reconhecer o que NÃO serve para você e sua vida é uma maneira de usar o contraste para te orientar em direção daquilo que tem a ver com a vida que quer viver. Então, aproveite-se da informação que vem pelo contraste e refoque sua atenção naquilo que verdadeiramente quer e os bons efeitos esperados.

O que uma coruja tem a ensinar?

Bem, não é qualquer coruja, mas uma muito especial e sábia chamada de Salomão, que figura no livro "Sara" de Esther e Jerry Hicks, uma fábula para leitores de qualquer idade sobre caminhos de sucesso e bem estar. Na história, o Salomão apresenta lições à pequena heroína Sara, que a ajudam a manter um bom foco para conseguir metas e um estado de espírito que acaba atraindo aquilo que ela deseja ter.

Um belo dia na floresta, a Sara comentou: "Gostaria de poder voar, como você, Salomão!" E ele perguntou: "Porque gostaria, Sara?" A menina respondeu, "Ah... porque é uma chatice caminhar aqui no chão o tempo todo. É muito devagar. Leva um tempão chegar a qualquer lugar e não se consegue ver muito. Somente as coisas que estão aqui no chão. Coisas chatas."

Salomão não estava satisfeito e disse para a Sara que não havia respondido sua pergunta. "Você me disse porque você não quer não voar!" Sara se perguntou se fazia tanta diferença assim e Salomão exclamou: "Claro que sim, faz uma diferença enorme! Experimente outra vez. Diga-me agora a razão porque você quer voar." Sara ainda não havia pego o jeito do negócio, porque emendou com mais razões de não gostar da limitação de ficar somente no chão, "... porque não curto andar e demora me transportar pelo chão." Salomão, com a paciência dos sábios deu-lhe outra chance. "Diga-me, Sara, porque quer voar! Fale diretamente sobre o quer quer. Como seria voar? Como se sentiria voando?" E com este estímulo, finalmente, Sara começou a entrar no clima da lição do Salomão. "Voar é me sentir livre. É como boiar, só que é mais rápido...seria divertido! Me sentiria livre! Voaria como o vento! Seria bom demais!"

Sara abriu um sorriso lindo e sentiu-se livre só de pensar nisso. Aliás, tão leve e solta ela se sentiu que acabou primeiro flutuando e depois deslizando e logo em seguida, voando e sobrevoando, justamente como imaginava. Havia atraído para si mesma a experiência que desejava, colocando o foco naquele lugar da imaginação que cuida de desejos ardentes que provocam realidades.

Mas peraí, a gente não está num artigo sobre Coaching? Qual é a pergunta?

Está certo, estamos num artigo sobre Coaching. Especialmente quando se trata de coaching de vida, há uma premissa que nos guia: Aquilo que você foca aumenta. Se focar a lacuna entre seu estado desejado e seu estado atual, a lacuna aumentará. Muitas vezes, a pergunta "Porque você quer aquilo" inadvertidamente acaba levando o foco, pesadamente, para os aspectos negativos do estado atual. Ao focar só em aspectos negativos do estado atual, corre-se um grande risco de se gerar um estado de espírito negativo ao experimentar o desagrado daquilo que não se quer. À sabedoria do Salomão, só quero acrescentar um pouco de PNL. Uma pergunta que funciona muito bem é: "Para que você quer esta meta?" Experimente esta pergunta com uma meta sua. Note como ela te leva para o futuro desejado e para um efeito desejado. Se continuar perguntando: "Para quê?" sobre cada resposta obtida, você vai chegar a um valor fundamental.

Quando estiver em contato com este valor fundamental, você vai sentir o estado essencial associado ao valor, como no caso da Sara, que teve a sensação leve e solta por ter focado em tudo de bom que voar ia fazer para ela. Foque o que você quer, para que você o quer, vivencie aquele estado essencial como se fosse agora e gerará em você um estado de espírito altamente criativo, agradável, naturalmente motivado e nutridor para mobilizar ações que vão te impulsionar na direção daquele estado desejado.

Sabe que, na PNL e no Coaching, trabalhamos muito no sentido de reenquadrar suposto "fracasso" em "feedback", para que resultados negativos nos levem a pensar em coisas melhores como aprendizagem e acerto dos ponteiros. Que tal focar diretamente na pergunta "Para quê?" - que cria em nosso sistema "feedforward".

Sobre a Autora:

Arline Davis é americana, bióloga pela University of California, estuda comportamento humano há mais de 25 anos. Ministra seminários internacionalmente. Radicada há 17 anos no Brasil. Master Trainer em Programação Neurolinguística (PNL), formada com os criadores desta tecnologia de excelência humana. Diretora do Instituto Núcleo Pensamento & Ação.

Comentários   

+1 #4 Izolda 24-08-2005 06:00
Existe um velho ditado que diz, falar é fácil, fazer é que é difícil. Às vezes, lemos sobre como direcionar melhor a nossa vida mas ficamos incapacitados de colocar os ensinamentos em prática. Este artigo quebrou a lacuna que existia entre o saber e saber fazer, com relação a objetivos, pois expôs de uma maneira prática o caminho para se chegar lá.
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+1 #3 Aragão 24-08-2005 06:00
Em minha área de atuação, engenharia, pude levar minha colaboradora a formulação de seu objetivo, quando se expressou o que queria e não o que não desejava ao levá-la a passear pelos níveis neurológicos e encontrar no nível ambiente a solução e o foco para suas ações.
Ao perguntá-la para que?
Disse: para estar bem consigo, com o outro e ser feliz.
Legal, não é??
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+1 #2 Bia 24-08-2005 06:00
É sempre muito agradavél uma leitura como está, principalmente no inicio da semana. O nosso foco realmente é muito importante para alcançarmos nossos objetivos, no entanto com a PNL tenho podido perceber que as pessoas realmente manteêm o foco no negativo e não imaginam o quanto isto influência para que não alcancem o seu objetivo.
SDS,
Beatriz Oliveira
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+1 #1 Edmilton Luis Suppi 24-08-2005 06:00
Sou um adpeto da PNL a mais de 2 anos, e nesse tempo já efetuei mudanças incríveis na minha vida, desde crenças até comportamentos.
Sempre me perguntava o porquê das coisas e obtinha respostas insatisfatórias e a partir do momento que comecei a fazer perguntas de como, tudo começou a mudar, comecei a focalizar nas soluções.
SDS,

Edmilton
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