"Aprendo com as minhas mãos, com os meus olhos e com a minha pele o que nunca consigo aprender com o meu cérebro." M. C. Richards

Hora de Mudanças

Estamos  no terceiro milênio e parece que algumas organizações ainda resistem em usar a  capacidade de seus funcionários para acompanhar as mudanças que ocorrem numa  velocidade cada vez maior, em todos os setores. Fala-se muito em Recursos  Humanos, porém entre teoria e prática continua havendo grande distância. RH -  recursos humanos - é um campo de atividade tão antigo quanto o próprio homem e  seus agrupamentos.

Da Pré-História ao século XVIII, quando  ocorreu a Revolução Industrial, o perfil dos Recursos Humanos foi esculpido  num campo de atividades econômicas rudimentares, onde as ações administrativas  estavam relacionadas com a política, a militar e a religiosa. A Revolução  Industrial permitiu que os Recursos Humanos marcassem presença no mundo  empresarial. A marca deixada neste tempo todo, e que em muitos lugares  persiste até hoje, é a do autoritarismo, com uma minoria pensante e uma  maioria executante de um trabalho altamente hierarquizado, burocratizado.  Somente no início do século XIX é que começam a surgir na Europa propostas  para a democratização e humanização desse totalitarismo organizacional.  

Se espremermos todas as técnicas de produção e administração,  das antigas às mais modernas, o suco é um só: o ser humano quer ser  respeitado, quer agir, palpitar, participar, falar, pensar e emitir suas  opiniões. Já se foi a época das relações feudais de trabalho. A confiança  habilita, o medo congela. Os sistemas hierárquicos baseados em estruturas de  domínio e submissão, limitam as interações sociais e impedem a cooperação  humana inteligente. E para que uma organização possa ser inteligente, ela  precisa usar a inteligência de seus membros.

É fácil administrar  a presença física das pessoas na organização, mas a cabeça e a alma delas já é  outra questão. Podemos comprar a presença, a execução e até a eficiência dos  funcionários, mas a eficácia, a garra, a vontade, os sentimentos, não estão  sob o controle de qualquer diretor, gerente ou chefe.

Lembro-me  desde os tempos de estudante de Administração de Empresas da FGV, que se  comparava uma empresa ao ser humano, ambos possuem corpo, mente e alma. Na  empresa o corpo seria a parte racional, material da organização; a mente  trataria das questões filosóficas, traduzindo seus valores e missão ; a alma é  o coração, a parte afetiva, do intercâmbio entre as pessoas. Uma empresa não  pode ser só corpo, ou corpo e mente, ou só mente, ou só alma. Ela precisa ter  corpo, mente e alma em perfeita sintonia. 

Charles Chaplin em “  Tempos Modernos “ conseguiu tecer uma brilhante crítica ao sistema produtivo  que prioriza a máquina em detrimento do homem, considerado uma simples  engrenagem do processo industrial. Deveríamos nos lembrar de Chaplin mais  amiúde, pois  as organizações precisam olhar seus funcionários como  capital e não como recurso.  Com certeza, quem investir no ser humano,  gerando maior envolvimento,diminuirá o desperdício e os custos, aumentando a  qualidade, produtividade e competitividade.

Hoje, os recursos  humanos, a relação com os empregados, deve ser constantemente repensada, Há  que se estimular cada vez mais o desenvolvimento pessoal do empregado, porque  o sucesso de uma empresa é determinado principalmente pelo comprometimento de  todos os seus integrantes. 

Numa época em que só se fala em  globalização, a capacidade de sobrevivência de uma empresa é diretamente  proporcional a sua capacidade de se transformar e mudar, utilizando da melhor  maneira seus recursos humanos, ancorada numa fórmula infalível: respeito.  

Sem respeito não há liberdade. Sem liberdade não há  criatividade. Sem criatividade não há inovação e sem inovação é a morte.  Portanto, aos que precisam e querem sobreviver, mas ainda estão apegados ao  passado, é hora de parar para repensar a organização, permitindo e até  incentivando seus funcionários a buscar a vida em sua plenitude, porque o  sentido do trabalho é o mesmo sentido dado à vida.

Comentários   

+2 #2 WALLACE 07-04-2010 20:05
Ter corpo, mente e alma em perfeita sintonia é muito importante para a empresa e para os indivíduos.Exce lente comparação!
Assim, é bom lembrar que devemos EXERCITAR essa sintonia.
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+4 #1 KARLA FRISSO 12-02-2010 07:00
Na minha empresa sofro muito com funcionários pois o comprometimento deles com a empresa não é total. Gostei muito do que eu li neste artigo. Parabéns!
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